Os vamos a dejar cuatro poemas de Fernando Pessoa. Están en portugués pero se entienden muy bien. Tras el puente, en el que hemos hecho un pequeño descanso, retomamos la actividad en La Gata. Uno de nosotros estuvo un año viviendo en Portugal y la verdad es que es inevitable leer algo de Pessoa, aunque debemos reconocer que lo conocemos mucho menos de lo que nos gustaría, aunque al leer sus poemas no dudamos de la sonoridad, ironía y cierta suavidad y costumbrismo de su obra, bajo diversos heterónimos.

Es el autor portugués más conocido e incluímos aquí estos poemas porque se pueden leer a los niños y niñas para que así aprendan también el portugués.


 

Isto

Dizem que finjo ou minto

Tudo que escrevo. Não.

Eu simplesmente sinto

Com a imaginação.

Não uso o coração.

*

Tudo o que sonho ou passo,

O que me falha ou finda,

É como que um terraço

Sobre outra coisa ainda.

Essa coisa é que é linda.

*

Por isso escrevo em meio

Do que nâo está ao pé,

Livre do meu enleio,

Sério do que nâo é.

Sentir? Sinta quem lê!


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Ilustración de Ana Juan


 

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.

Finge tâo completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

*

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Nâo as duas que ele teve,

Mas só a que eles nâo têm.

*

E assim más calhas de roda

Gira, a entreter a razâo,

Esse comboio de corda

Que se chama o coração.


Marion Arbona

O cego e a guitarra

O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.

Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.

Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.

Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.

Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.

Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.

federicogarcialorca

Ilustración de Katt Frank


Todas as cartas de amor…

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

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Este último poema que dice que todas las cartas de amor son ridículas pero que en el fondo solo aquellos que nunca han escrito cartas de amor son los ridículos… Es estupendo. Como otras veces hemos hecho las ilustraciones no tienen nada que ver con los poemas, las hemos escogido de nuestro biblioteca, simplemente.